NÓS MULHERES



"Somos uma só identidade em múltiplas formas de conhecer o vasto mundo e os seus milagres [...] Somos como irmãs que se desvelam a honrar a mãe-Terra, eterna não diremos, mas preparada por nossas mãos a empreender o voo, um dia, para outro lugar no espaço".

AGUSTINA BESSA-LUÍS

Terça-feira, Maio 29, 2012

AS ENERGIAS CÓSMICO OU TELÚRICAS...


AS DUAS ÍSIS…


(…)

“A busca da verdade é também a busca do outro. Essa questão toca bem claramente o problema da dualidade masculino/feminino, dia/noite….Quando essa dualidade é dominada, leva a um outro nível de consciência, tal como é expresso na grelha integrada. A mulher – conhecimento/sabedoria – tem um substrato de facto, enquanto o homem precisa partir sem demora em busca de si mesmo. A mulher é para ele uma iniciação ao progresso, um catalisador do futuro. Nesse sentido a mulher parece ter vantagem em relação ao homem.


As duas buscas de Ísis demonstram muitas facetas dessas vantagens. Considerando Osíris como o representante do homem mítico a construir, vemos que ele precisa a toda a hora de ser reconstruído. Os catorze pedaços são catorze centros energéticos e esses mesmos centros foram escolhidos para nomear províncias do Egipto, os nomes. O corpo decepado do deus vivo que se tornará deus morto. É o fio invisível que assegura a continuidade ao longo da alternância vida/morte. É também o símbolo do grão que morre no solo para renascer em outro ser. Cada grão de Osíris estava ligado a uma província do Egipto. Ísis não encontrou o sexo, engolido por um peixe. Não existe província ligada ao sexo. Esse facto evoca outras ideias que encontramos em muitas religiões – reveladas ou não -, a de que o deus fundador foi concebido sem reprodução sexuada. O segundo aspecto está ligado ao facto de que são as mulheres que concebem. As mulheres são MA e o AM. A primeira matéria realizada seria a da mulher.

Existem tipos de fecundação em que podemos questionar qual é o verdadeiro papel do macho. Em certas fêmeas, o espermatozóide só traz um sistema de forças criador, apenas um stresse para o óvulo. Não existiria transmissão de património genético proveniente do macho, enquanto as recombinações genéticas teriam lugar unicamente no material genético proveniente da fêmea. A mulher já tem nela as infrastruturas para criar o ser inteiro. Falta-lhe justamente o impulso criador. Na Bíblia, o episódio da costela de Adão apresenta as cosias de maneira inversa.

Com a linguagem vibratória, a tradução da mulher dá a letra Z. E a constela de Adão seria a letra Z, que significa responsabilidade. Ora, a letra Z pertence ao mundo transcendental. A mulher já é portadora do mundo transcendental (A Virgem maria, Ísis, as virgens negras etc.). O homem, em contacto com a mulher, teria acesso ao germe da iluminação. E o casal alquímico exteriorizaria isso.

(…)
Chegarei mesmo a dizer que, nesta evolução do conhecimento, a mulher leva vantagem, mas não sei se ela sabe disso. Ainda mais que na situação actual ela se choca com o poder do homem. Sejamos claros: constitutivamente não existem relações de superioridade ou de inferioridade entre o homem e a mulher. Tudo depende do contexto sócio-cultural da época considerada cujas consequências extremas se manifestam nas sociedades do tipo patriarcal e matriarcal. O facto principal que se expressa no caso ideal é a complementaridade da infra-estruturas constitutivas de cada um…O resultado no mais alto nível vibratório de tal complementaridade é a fusas integral dos duplos que se traduz por um alargamento prodigioso do campo de consciência do casal alquímico. Trata-se de um verdadeiro processo de transcendência cujas consequências são múltiplas, principalmente transformações profundas e duráveis de cada um dos componentes do casal. Penso mesmo que esse estado ideal e final do casal alquímico, caracterizado pela fusão dos duplos, continua após a morte física. Mas atenção: eu não digo que tal resultado do casal alquímico seja verdadeiramente realizável.”

(…) 

Etienne Guille

O homem entre o Céu e a Terra

Sábado, Maio 26, 2012

A VOZ DA MÃE…




“Um Sifu me contou que lutadores de certos clãs no antigo Cantão quando tinham um oponente muito forte procuravam antes estudar o tom de voz da mãe deste (na época era fácil isso, as famílias viviam juntas, numa mesma casa várias gerações).
O tom de voz da mãe atravessa as barreiras defensivas em nós porque o ouvíamos como vibração, quando estávamos no útero.”
 In pistas do caminho – nuvem  que passa


LEMBRAM-SE? OU ESQUECERAM?


Muitas mulheres estão a despertar...elas começam a sentir o que está mal...elas sentem na sua pele o incómodo, mas ainda querem ser boazinhas...balbuciam meias verdades...Todavia ainda não conseguem resgatar a sua palavra a partir do útero, de verdade, do seu amago. ainda disfarçam. Não conseguem gritar o que lhes vai na alma. Ousar dizer o que as oprime. Um enorme peso, o silêncio de séculos, o medo - pesa sobre as suas cabeças...Cabeças sempre postas a prémio..."se falas...morres...se dizes mato-te...se ousas abandonar-me, direi que és louca, se te atreves a denunciar-me vais para o hospício...direi que és bruxa...que és puta, que és má mãe...Vão tirar-te os meus filhos...eles são meus e trazem o meu nome. Tu mulher és nada...És um verbo de encher com esperma, uma barriga de aluguer..."

Lembram-se...é esta história repetida em todas as histórias velhas e novas...e de todos os cantos do mundo ela vem...ah! não, os filmes e as telenovelas... esses são já para nós fazer esquecer, para nos iludir, para nos confundir...eles dizem, "tu és livre, dizes e fazes o que queres, tens tudo o que precisas, carros e batons e és presidente e médica e política, escolhes e dormes com os homens que queres"...E assim tu esqueces.  Eles dizem, não, "não houve opressão da mulher, ela é que teve a culpa...ela é Lilith, um demónio, ela é astuciosa e má, a mãe negra que come os filhos a mulher vampira que engole meninos à nascença...ela é a vlha bruxa megera..."

Parece que esta história já não se usa...que foi ultrapassada, mas é a história que está selada nas nossas células, na nossa memória...no nosso ventre, que nos persegue e não é branqueando e fazendo de conta que não foi nada, que já não dói, que eu sou livre... que ela se apaga...Não. É lembrando é integrando essa Sombra que nos atormenta, essa memória que nos angustia, indo ao fundo de nós mesmas e ao magma da terra, bem ao fundo da nossa psique ver essa cisão intertna quenos separa umas das outras, para a resgatarmos e só assim a libertaremos para sempre e sermos quem sempre fomos...unas e inteiras, mães mulheres e amantes...como um todo e não fragmentadas e separadas, e fechadas em prisões onde nos meteram para nos usar de acordo com as suas leis...esposas e prostitutas, concubinas e escravas...

A mulher tem de acordar e resgatar a Voz do Útero, é urgente e é preciso. O mundo depende da Mulher...agora mais do que nunca a Terra e a Mulher têm de ser Uma.

 Rlp



A voz de uma leitora:


Uma coisa que sinto é que a voz do útero é a voz do amor. Ele se contorce porque ainda estamos amarradas e aprisionadas a estas questões, sofrendo por elas. Os tempos atuais são outros, o feminismo abriu caminho às avessas mas foi um movimento importante de conscientização. As mulheres confusas e por isso cindidas não reconhecem a supremacia do amor que brota do seu ser. Esta é a sua finalidade última. É a questão de sua energia, é a função de sua essência. Sinto que há um aprisionamento deste útero que quer amar e não sabe porque se aprisiona em sua própria dor, não vê saídas, não vê perspectivas, se vê algemada o tempo todo. Vê que o mundo ainda lhe submete, a constrange por toda essa história que já conhecemos. Será que não está na hora de olharmos para este corpo de dor e fazer um ritual de despedida? De limpeza, de cura? Não conseguimos ser inteiras porque o corpo de dor vive nos remetendo a essas injustiças que recebemos, tal qual uma criança que não aceita mas também não se mexe, só reclama e se submete. Amar é essencialmente a nossa função. Não é ser boazinha é ser boa. Não é ser passiva, é ser consciente de seus movimentos e quando deve fazê-los. É ter voz. É alcançar a nossa SABEDORIA perdida por entre várias opiniões, teorias e etc... É reconhecer e se apropriar inteiramente de nosso poder. Já está na hora a meu ver da força se expandir, não é lutar é amar. Lutar aqui num sentido de guerra dos sexos ou coisa que o valha. Mas é lembrar de como se ama, e devemos nos amar, e nós já sabemos, para poder curar o que nos cerca de ignorância e temor, dentro e fora de nós. Consciência sim, tudo o que é exposto aqui e é com muita propriedade, é necessário mas precisamos nos libertar emocionalmente e mentalmente dessas questões para sermos verdadeiramente LIVRES. Eu não sei se vou me fazer entender mas eu acho muito necessário conhecermos nossa história antropológica, nossa história espiritual, etc... Mas precisamos SER ESTA MULHER, ainda estamos profundamente condicionadas as nossas dores. Uma coisa é ter consciência delas, outra coisa é tê-las como "armas" de proteção ou mesmo vinganças veladas ou não. Livrai-nos oh mãe dessa dor que a mulher acaba cultivando em si. Para além de todas as pressões que ainda sentimos e vivemos, devemos seguir sem medo a mensagem da rosa, a essência do feminino em sua leveza, pureza, em seu aroma, em sua beleza, no amor que espalha e nos seus espinhos que revelam que ela não é frágil e nem tampouco desprotegida. É consciente de sua força, beleza, sabedoria e dignidade!

 Rosa Barros


Quarta-feira, Maio 23, 2012

HONRAR AFRODITE

 
 
Dia 23 de Maio:
"É o momento em que as rosas expressam o seu simbolismo ligado ao amor. Em cada botão de rosa vive a essência de Afrodite, a bela e suprema deusa do Amor e da sensualidade - os expontes do desenvolvimento equilibrado da personalidade humana. Façam como o rebento de rosa que se abre à suavidade do beijo do sol, ao afago gentil da brisa da primavera, e com estes estímulos vence a f...rieza da geada. É dia do festival das Rosas ou Rosália e tempo para o sentimento mais nobre do ser humano. Honrem Afrodite ou Freya e todas as suas facetas que podem ser reconhecidas em todas as culturas pré-cristãs. Integrem a fragância da rosa e deixem-se levar pelos fluídos da intensidade do amor. A deusa renasce dentro de nós!!!!"
Cristina Valquíria Valhalladur Aguiar

Segunda-feira, Maio 21, 2012


- PORQUE NUNCA FALO DO  HOMEM,
NEM DO MASCULINO SAGRADO

A visão dos homens sobre o sexo é uma e a das mulheres é outra. O erotismo das mulheres é um, de Vénus, o dos homens é outro, de Marte. Por isso este espaço está exclusivamente reservado se quiserem ao erotismo feminino, ao Feminino Sagrado, mais a Vénus e Afrodite do que Eros e Marte.
Os seres femininos são diferentes dos masculinos. O seu erotismo é diferente e ponto final.
A aprendizagem pode ser a experiência dos dois em UM, mas nunca antes de a mulher ser mulher e o homem ser homem...e aí é que começa a discórdia. porque nem o a mulher nem o homem são seres féis ao Pincípio respectivo, havendo uma total preponderância do princípio masculino em detrimento do princípio feminino. Temos por isso de rever toda a história da Humanidade.
Há séculos que o Falo impera através da guerra, da violação e da violência sexual sobre as mulheres; o Falo é símbolo de domínio, de valor, de supremacia, imperativo até na linguagem: o Homem, a autoridade e jactância masculina plenas. O falo tem sido um sexo de domínio sobre as mulheres, de afronta às mulheres...

Sei que não é simpático dizer isto a mulheres jovens e mulheres na força da Vida e em plenitude sexual ou casadas...mas ainda aí e a risco de me considerarem androfóbica, ou sofrer de misandria, eu defendo e digo que aqui do que se trata É do ÚTERO...do Útero e dos Ovários, centro de poder interior da mulher e correspondente ao "ter tomates". Importante aqui é o Sangue e as Faces da Deusa e da Lua e não do deus cornudo...nem do masculino sagrado, desculpem mas esse é o FOCO, não o Falo.
Já chega: Vivemos numa sociedade absolutamente falocrática, e num sistema que elege o falo como único princípio e expressão/opressão das mulheres...inclusive verbal - Lacan diz: “a linguagem é o falo a mulher é silêncio” – por isso tenho instintiva e naturalmente alguma relutância em dar espaço entre mulheres e deusas a esta questão...que não nos pertence de nascença...e à partida, embora tenham feito de nós seres inferiores por não possuirmos um...

Freud disse isso, que nós mulheres tínhamos inveja do pénis. Nunca tive inveja do Pénis...e achei essa análise um erro crasso, no entanto acabei por constatar, tardiamente, que isso é muito o caso das mulheres que vivem obcecadas pelo dito...e muitas não amam o homem, conheci algumas, mas desejariam ter um órgão de poder e de posse e de violência - a espada...elas querem possuir o homem para se apossar do falo…as ninfomaníacas não são outra coisa senão isso…
Esta sociedade actual de homens é imperativamente dominada pelo...cara....-…A linguagem dos jovens e dos homens começa e acaba com essa maravilhosa interjeição a toda a hora e em qualquer lugar...a das mulheres de hoje em dia também...
Há pouco tempo fiz parte de um grupo - vrtual - no facebook  de suposta “sexualidade sagrada”... que a breve trecho virou pornográfico...o uso e abuso da linguagem falocrática e a exploração da mulher objecto…

Por outro lado Sei como facilmente as mulheres se interessam e viram com muito mais entusiasmo para falar dos homens e do Falo, da sexualidade e erotismo a dois, sobre os homens em geral, do que sobre elas próprias e esse é o risco...
Sei que as mulheres viveram séculos a fugir delas próprias do seu útero, tão abusado, tão mal tratado, tão vilipendiado...do seu sexo tão denegrido, dos seus ovários cortados...dos seus seios feridos, lacerados...
Sei que pareço uma velha controladora, como já me caracterizaram num grupo, uma madre superior a castigar as meninas que falam de sexo; sei que posso parecer retrógrada e talvez reaccionária. Sei que vão ficar aborrecidas ou mesmo  ofendidas por eu tocar nesta questão desta maneira; eu não odeio os homens de per se, mas a sua história e o seu comportamento colectivo em relação às mulheres em todo o mundo. Ainda ontem vi numa reportagem a forma como os homens da resistência francesa - quando a ocupação nazi acabou -, penalizaram de forma horrível as mulheres que tinham tido amantes alemães…a violência atroz dos cidadãos franceses que lutaram contra o nazismo foi tão feroz ou mais nazi do que estes foram com essas mulheres que amaram…As mulheres são sempre as cruxificadas nas guerras e primeiras vítimas dos dois lados das fronteiras…
Eu nasci no fim dessa guerra, mas sinto que vivi isso na pele, não sei como, pois nasci logo após essa obscura idade média que foi o nazismo, mas nazis ou comunistas, liberais ou utópicos, os homens face à mulher são sempre os mesmos…e isso não me permite dar-lhes espaço aqui. Amo os homens como irmãos, como filhos, mas como amantes  eles não o eram e raros ainda o saberão ser…mas o caminho do masculino sagrado é deles e não meu…
Por isso o meu foco é este trabalho de SER MULHER inteira e busca identitária – sem precisar do complemento homem para ser…eu. Isto é praticamente inconcebível pela grande maioria das mulheres! SEREM MULHERES APENAS, sem serem mães nem amantes, mas seres independentes e conscientes de si mesmas enquanto entidades.

Sei bem e compreendo o legítimo interesse das mulheres pelo falo, pelo homem e pelo sexo... Como sei que corro o risco de mais uma vez ser mal interpretada aqui ao contrariar isso...mas sou velha e sei a importância relativa que o sexo e o dito falo possa ter no somatório de uma vida. E não quero esquecer nem alienar-me um só momento do que seja e do que é ainda o imperativo do sexo num mundo FALOCRÁTICO, a dominação das mulheres.
Portanto minhas amigas, por tantos séculos de poder falocrático, é tempo de nos ocuparmos unicamente da Mulher essencial, do Feminino Sagrado, da Yoni se quiserem, mas não do falo…nem do masculino sagrado. Porque isso não nos acrescenta nada…e continuaremos presas ao seu domínio.

 Resgatemos o Feminino Sagrado em nós antes de tudo e no fim…ou no meio, ou como quiserem, vivam e busquem o masculino sagrado mas só se for em plenitude de vocês mesmas e em total reciprocidade, respeito e amor…Não antes…nem de outra maneira!
rlp

REPUBLICANDO...


A DIVISÃO DA MULHER
"…a mulher dividida em sua essência nunca poderá alcançar a plena união com o homem, porque essa divisão tornou a mulher um ser incompleto, incapaz de manifestar a sua verdadeira natureza. Com a mulher incapacitada de expressar a sua unicidade, ambos, homem e mulher estão fadados a um eterno desencontro, enquanto perdurar a divisão interior do sexo feminino. Estando dividida, ela não sabe o que é ser mulher, como poderá, então, se colocar perante o outro em equilíbrio com o seu ser e o dele?
Existe outro domínio da associação para o qual somos chamados à consideração. Isto porque o caminho da associação pode conduzi-lo à realização de uma união ainda maior" a união com o Eu Superior, a união com o Divino.

OU O FEMININO SAGRADO
Aí está, creio eu, o grande problema criado pelo patriarcado e que gerou todo o desequilíbrio atual e na relação entre homens e mulheres: como a mulher e o feminino foram inferiorizados, desprezados e maltratados em sua condição, o divino foi expulso da união do homem e da mulher e da própria vida (…)
Só quando a mulher se colocar (…) inteira, perante o homem e a sociedade se restabelecerá a união sagrada que deveria se realizar entre os dois opostos e que traria o equilíbrio que esse mundo tanto precisa. Mas para isso acontecer, a mulher tem que reconquistar a sua integridade.
ELA TEM DE VIVENCIAR A SUA Integralidade, aquela que sua natureza requer. Ela encarna o impulso para a auto-realização e indica a senda que você deve tomar, não induzindo por motivos ulteriores, mas pelo cerne de sua individualidade.

IGACI - uma leitora brasileira

Quarta-feira, Maio 16, 2012

PORQUE HÁ PERVERSIDADE...


*E AS MULHERES SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS...
 
Caracterizam-se pela maldade, pela ausência de sentido moral, pela aptidão pelas relações sociais – que ajuda à manipulação e mesmo à subordinação dos outros -, pela tendência e facilidade em mascarar as suas intenções.

Nas relações sociais do perverso de caráter, a dominação e a influência ocupam um lugar privilegiado. Ele manobra habilmente para submeter o outro a pouco e pouco. Animada pelo ódio, a sua vontade procura apagar aquilo que o outro tem de singular. Cada uma das suas formas e variantes da perversão moral responde a apetites particulares: o escroque procura o despojamento económico do outro; o sádico moral centra a sua ação na crueldade, o masochista moral na submissão; o voyeurista moral deseja provocar a vergonha e o exibicionista moral, o escândalo. Quanto ao perverso-narcísico, ao jogar com a necessidade de afirmação de si, deseja alterar o valor do amor-próprio do outro. Daí que estabelecer relações íntimas com um perverso e ligar-se a ele é pura perda. Quem o faz nunca sai incólume: perde o sorriso, torna-se amargo, sente-se fraco. Aliás, atenção: a perversão moral joga-se muitas vezes na relação, e a vítima pode também ser cúmplice, tirando daí vantagem…apenas durante algum tempo.” (porque depois da sedução, vem o desprezo, sem contudo abandonar jamais a sua vitima, acrescento eu).

Alberto Eiguer Pequeno Tratado das Perversões Morais, Climepsi

Segunda-feira, Maio 14, 2012

As diferentes Faces da Deusa, as diferentes idades da mulher


 OS RITUAIS DE PASSAGEM.


"A expressão francesa “Rites de Passage” foi adoptada por antropólogos e escritores europeus para definir todos os rituais e cerimónias que propiciam a passagem de uma pessoa para uma nova forma de vida ou um novo status social. Segundo o escritor Arnold van Gennep, os ritos de passagem são cerimónias que existiram e existem em todas as culturas, antigas ou contemporâneas, primitivas ou urbanas, acompanhando cada mudança de idade, de lugar, de estado ou de posição social.

Infelizmente, nas sociedades modernas estas celebrações foram sendo reduzidas - algumas delas mesmo ignoradas - e outras deturpadas.

Um rito de passagem totalmente relegado ao esquecimento é a celebração da menopausa.” - Mireille F.



Estava a pensar justamente nesses RTUAIS DE PASSAGENS e em como seriam úteis agora, devido a alguns confrontos que de vez em quando acontecem entre gerações, como nós agora dizemos, para concluir para mim mesma, a noção de que não podemos discutir experiências e vivências ou mesmo as crenças umas das outras, sem ter em conta essas diferenças de idade ou de gerações como se diz. Porque aquilo que faz de nós a conhecedora é a experiência e a vivência; e essas experiências e vivências têm de estar de acordo com os estádios da sua vida – que são patamares distintos ou degraus - que concluem o somatório dessas vivências em significados…e que estes correspondem por sua vez, quer queiram quer não, às suas idades que são símbolos das diferentes Faces da Deusa...

Depois da Jovem, da Mãe e da Velha temos "a sábia" - aquela que sabe - e não o digo apenas por me encontrar na idade ou fase da vida que me coloca nesse sentido numa posição privilegiada, à partida, mas pelo facto de ter passado pelas diferentes idades e estágios da mulher. É certo que não fui Mãe mas resgatei a Mãe para mim…e esse foi o meu trabalho pessoal, o meu parto de alma. Resgatar a Mãe para a Filha….

Assim, não há como contornar a questão da Mulher Jovem, da Mulher Madura e da Mulher Velha. São fases distintas da vida que correspondem a vivências e patamares diferentes...de acordo com essas Faces da Deusas...

Bem sei que neste mundo moderno, em que não há ensinamentos ou iniciações de acordo com essas idades na mulher (e tão pouco no homem), não há também por consequência nenhum respeito por essas fases e tudo se mistura; e para agravar as cosias temos uma cultura que se pretende abrangente e que não faz mais do que perverter a nossa realidade interior pela ideia deturpada de uma suposta "igualdade e democracia" e assim ninguém ouve ninguém nem ninguém respeita ninguém...Vemos esse exemplo nas escolas entre alunos e professores e mesmo dentro das famílias ou em grupos. Já ninguém sabe qual é o seu lugar. E toda a gente pretende ter razão e assim em vez de nos basearmos na nossa experiência de vida, baseamo-nos em ideias da vida…em psicologias, em filosofias em pedagogias, temos técnicas disto e daquilo, mas sem a uma verdadeira experiência ou vivência do real, uma Consciência do ser que não é só mental intelectual mas principalmente conhecimento adquirido pela experiência, saber integrado. E há coisas que só a idade e a experiência nos pode ensinar e por mais livros que leiamos e saibamos de tudo isso não significa SABER verdadeiramente. E isso é válido para todas as idades…

rlp  

Sábado, Maio 12, 2012

A mão sobre o peito segura as lágrimas.




HA UMA MULHER QUE CHORA...

Há uma mulher que chora dentro do vestido da terra.
Uma mulher nuvem que se dissipa e morre tocada de ausência.
Uma mulher que semeia na terra o nome do que sem nome brota.
A mão sobre o peito segura as lágrimas.
Porque as lágrimas têm um caminho que não se confina na terra nem no azul do vestido do céu.

No jardim onde as almas se sentam no banco de pedra da sua mesma morte corre um rio sem tempo agarrado aos torrões da luz.
O corpo é uma lembrança fugidia e a realidade é um traço de vento no caderno das liliputianas palavras.


maria sarmento

Sexta-feira, Maio 11, 2012

Em que ao fundo brilha o horizonte certo.


PARA A AGRIPINA


Amanheceu a minha vida no teu rosto

 De uma doçura intensa e tão suave

 Como se um divino fundo nele brilhasse

 Eu era o que nascia soberanamente leve

 E encontrava na limpidez centro do equilíbrio

 Só em ti cheguei amanhecendo na minha madurez

 Entrei no templo em que a luz latente era a secreta sombra

 Foste sonhada por meus olhos e minhas mãos

 Por minha pele e por meu sangue

 Se o dia tem este fulgor inteiro é porque existes

 E é porque existes que se levanta o mundo

 Em quotidianos prodígios

 Em que ao fundo brilha o horizonte certo.


ANTÓNIO RAMOS ROSA,
in O TEU ROSTO
(Ed. Pedra Formosa, 1944)

Terça-feira, Maio 08, 2012

SÓ DENTRO DE NÓS...


As pessoas falam e buscam A ”felicidade”…

Toda a gente fala e quer a felicidade…ricos, pobres, ignorantes e cultos, classe média ou alta, aristocratas, marxistas e idealistas…drogados e sóbrios, religiosos e ateus…e até políticos, claro a sua dita e não a do “povo”…mas isso é outra história…


A Felicidade…não sei porque, porque raio, sim digo, por raio a mim essa palavra não me faz nenhum sentindo, não tem em mim nenhum eco…nenhuma ressonância… a menor atracção, e sobretudo nenhuma credibilidade…De certo que o meu conceito ou noção de felicidade não é igual à de ninguém neste mundo e isso ainda é mais estranho. Porque será que para mim a Felicidade não me diz absolutamente nada e me enerva e quase me irrita esta alienação de pretender uma coisa que não existe e que nunca existiu a face da Terra e toda a gente se perde à sua procura?

Felicidade…"ser feliz" dizem, quero ser feliz ou sou feliz…mas o que mais se constata é de facto o inverso…a infelicidade…mas não será a infelicidade que todos sentem só e apenas o reflexo de uma procura de algo que não existe e que não existindo ninguém pode encontrar e em nome dessa felicidade inventada e projectada em mil ideias, perde-se isso sim,  A VIDA NORMAL, A VIDA EM SI e as suas nuances e contradições e paradoxos,  só porque um ideal, uma utopia macabra vitimou toda a gente na terra – toda a gente, não, só os “civilizados” - que em vez de acreditar e procurar o sentido Real da Vida, o sentido profundo da vida em si e o seu mistério, a sua grandeza, fazer a sua conexão com a própria natureza e viver a vida tal como ela é, tão imensa e tão bela, procura uma felicidade que nunca existiu, uma felicidade fictícia…isto cheira-me a “esturro”…Quem foi que inventou essa felicidade? Sim, ser feliz, estar contente, estar satisfeito, estar bem, é o que as pessoas mais sonham e anseiam…e quanto mais sonham e anseiam a “felicidade”mais longe estão da realidade e daquilo que nos traz o amor e a paz que é estar e ser AQUI E AGORA, na plena aceitação do que se é e como se é e com o que se tem…Sim, RESPIRAR o prana…sentir o éter, deixarmo-nos envolver por tudo o que nos faz viver e não depende de nada…Essa sim é a VIDA. Sim, porque a “felicidade” e o eu “ser feliz” neste mundo de consumo e alienação depende…da saúde, do par certo, do espaço perfeito, da companhia certa, da mulher séria, da casa ideal, de um casaco de peles, do carro brutal, de roupa de marca, dos filhos engenheiros, do marido rico, da filha bem casada, do sucesso na escola ou da carreira, do dinheiro que se tem, da fama ou do prémio do euro milhões etc.

Digam-me se esta felicidade é incondicional…

Digam-me se esta felicidade é viver apenas a vida sem depender de mais nada para a extrair e assim estar pleno? …digam-me se a felicidade está em cada esquina e em cada dia e no seio da nosso família e se eu tu és feliz sem precisar mesmo de nada e por estares apenas viva? Não, tal não existe, nem nada é mais condicional e condicionante neste mundo do que a tal felicidade tal como o dinheiro…

Então a felicidade é algo que se tem de construir com algo, implica sempre o TER…a felicidade é então TER e Haver…a felicidade não é SER, nem sentir…a felicidade não é “eu sinto-me feliz porque o meu coração bate”…porque respiro o ar…porque estou viva? Não, é: eu sou feliz porque tenho a mulher ideal e se tenho isto ou aquilo ou se isto e aquilo acontecer.

Então que felicidade é essa que garantias tenho de ser feliz se implica Ter e é ter o que toda a gente persegue e não encontra e para isso e pulando mesmo por cima dos outros, reduzindo-os a pó, ou esmagando muita gente à sua volta, e até matando animais homens e crianças e destruindo tudo o que impeça para garantir a sua felicidade, a ambição, o luxo, a ganância e o poder, que é o que os ricos, os mafiosos, os ditadores, os banqueiros e os políticos fazem, tudo fazem para serem felizes e realizados, porque venceram e são “grandes”? E à custa de quem se monta a felicidade de cada um?

Como é que se pode ser tão fútil, tão superficial e pensar nestes termos e viver como máquinas a produzir consumir e a morrer como vermes…

Como é que se pode, num mundo como o de hoje, dizer-se e querer ser feliz porque se tem ou se obtém algo?

…como se não soubéssemos que é tudo uma farsa e uma mentira este sistema de crenças e que somos todos manipulados e explorados nesta sociedade, neste mundo que nos ilude e engana acerca de tudo…e nós sumamente ignorantes e dóceis acreditamos que a Terra é só a sua superfície e que não há extraterrestres e a Lua é vazia e nós pecadores, impotentes e fracos precisamos de psiquiatras e médicos e químicos porque entregamos o nosso poder pessoal nas mãos daqueles que nos prometem a “FELICIDADE”, justamente esses que a inventaram e com ela nos enganam há séculos; sim esses que nos prometeram essa felicidade NA TERRA OU NO CÉU, esse paraiso sempre adiado, e que nos garantiram que ele existe e assim nos desviaram da vida natural e simples…desviaram-nos do nosso centro, do nosso coração, do nosso saber intuitivo, da nossa capacidade individual, da nossa natureza humana e divina…

Sim, eu sei finalmente que é por tudo isto que eu não suporto a ideia, a menor ideia de “felicidade” e que esta palavra me repugna como a maior fraude do último século. E é por causa dessa fraude que não procuramos a Chave da verdadeira vida, do verdadeiro amor, que está inteiro e intacto dentro de nós…e foi mesmo isso que eles, sejam “eles” quem forem, que não quiseram que nós soubéssemos…pois perdiam o controlo da humanidade…então inventaram para nós uma felicidade que nunca existiu…e nós todos como os burros andamos à nora atrás da cenoura…enquanto eles dominam as mulheres, o mundo e a finança!

rlp

A CÂMARA SECRETA... 

"As nossas colunas estão rachadas pela base, porque tivemos infâncias difíceis, ou porque fomos parar a uma estúpida de uma incubadora e alguém desligou o interruptor, ou porque foi violado aos 4 anos, ou porque o pai tinha um complexo de autoridade... a pessoa não se esquece! Esta coluna psicológica está toda em ruínas mas se um indivíduo consegue sentir o perfume, atravessar estas malhas todas, isso implica uma câmara. Neste momento ninguém se consegue perceber a si próprio se não for para dentro de uma cápsula."


A.L.A.